Assentos preferenciais em coletivos – A regra é clara?

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Todos que constantemente pegam ônibus, trem e metrô sabem que há um senso coletivo que diz: “Amigo, se sentar no assento preferencial para idosos, gestantes e deficientes, caso uma pessoa entre com essas característica, você vai ter que levantar.” Há um aviso próximo a esses lugares, mas não é uma lei, é uma questão de bom senso coletivo e educação.

Muitas vezes, se o transporte público utilizado lotou e você que sentou num desses bancos e teve que levantar, fatalmente acabou ficando em pé e apertado até o seu destino. Caso isso ainda não ocorreu, parabéns! Ou você tem boa educação e sempre procurou um assento comum vaazio, ou nunca precisou pegar coletivos e passar por experiências semelhantes. Neste caso, acredite, faltará história para contar aos seus filhos e netos.

Infelizmente não são todos que seguem essa convenção social e, além de não hesitarem em utilizar esses lugares, ainda discutem quando recebem pedidos de passageiros preferenciais. Sou totalmente contra isso e evito ao máximo sentar nesses bancos, seja por educação, seja para não me estressar, seja para garantir meu lugar em assentos comuns antes do ônibus lotar.

Hoje, ao subir no busão a caminho do trabalho, aconteceu algo que me fez questionar sobre o uso da regra social. Antes de passar pela roleta, na minha frete havia um casal de senhores. Dentro do ônibus encontrei cinco lugares vagos. Dois preferenciais (um atras do outro) e três comuns. Desses três comuns, dois logo na frente, sendo um na primeira e outro na segunda fileira a esquerda e o terceiro no fundão.

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Os assentos do fundo do ônibus são lugares marginalizadamente nostálgicos. Muito me lembram as carteiras do final da sala de aula, onde ficavam os baderneiros – aproveitando o termo hoje em voga. Mas no caso do ônibus vai um pouco além de abrigar por muitas vezes meliantes e pessoas de má índole. Sim, se você senta nesses lugares, querendo ou não, você é mal visto. Se você vê alguém sentado por lá, inconscientemente já julga ser um detento, um pai de família fugindo de casa, uma aproveitadora especialista no golpe da barriga, entre outros. Claro que isso é (na maioria das vezes) coisa da sua cabeça, puro preconceito. A realidade é outra. Trata-se de um universo paralelo onde os passageiros mais espaçosos não tem vez, lugar de compartilhamento de ombros. É terra na qual tanto os marombados, quanto os gordinhos sofrem e incomodam –muita gente da mesma forma. Todos tentam encontrar uma posição para não criarem grandes vínculos físicos com o colega de passagem ao lado, alternando a posição dos braços, ora cruzando-os, abraçando a mochila ou a bolsa, ora se curvando para frente. Cada um esperando a sua vez de tentar uma nova posição, enquanto sacolejam e se encaixam como pipocas dentro de um saco de papel sendo batido pelo pipoqueiro a fim de caber mais.

Durante os três segundos em que eu passava o meu RioCard, calculei: “Eles dois naturalmente sentarão em cada preferencial e eu em um dos outros três lugares.” Seria perfeito! Obviamente o plano mental não se concretizou. Mais obviamente ocorreu exatamente o contrário. O casal de senhores sentou-se, cada um, em dois assentos comuns. Não queria dizer que para mim sobrou exatamente o banco do fundão. Também acho que não era necessário comentar que sentei entre um gordinho e um marombeiro. Isso não aconteceria comigo, se o casal de senhores tivesse a mesma consciência coletiva em sentar nos seus assentos preferenciais, visando que outros que entravam logo depois de nós pudessem sentar em lugares não marcados, evitando sentar em tais assentos sagrados e passando assim por constrangimentos a partir de olhares reprovatórios.

No momento em que eles se encaminhavam para os tais lugares, pensei em negociar os assentos. Seria até melhor para eles, pois os dois lugares preferenciais eram no banco alto (!) e mais próximos da “porta dos fundos” – também muito em voga. Logo em seguida desisti pois me pareceu limitar seus direitos de escolha, o que poderia ser entendido como discriminação, violência contra idosos e seja lá qual for o assunto e a acusação que fomentasse o barraco em plenas 8:13h da manhã.Sempre tem um que se amarra em causar polêmica a essa hora e o outro que gosta de discutir antes da cara de sono se desfazer por completo. Não quis entrar como número para qualquer estatística que possa existir sobre este tipo de evento e me resignei. Afinal de contas, apesar de tudo ainda havia um assento comum vago.

Enquanto o ônibus saia, me direcionei cambaleando com os solavancos por conta das freadas e buracos em direção ao universo paralelo. Pedi licença. Fui ignorado. Sentei-me. Encaixei meu quadril, coloquei minha mochila a frente, no meu colo e como se estivesse algemado sem poder movimentar livremente os braços, utilizei minha inconformidade com a quebra de protocolo sócio-coletiva por parte do casal de idosos como energia dispensada para fazer este post.

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Créditos:

Imagem: Tiras da Jeh

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Publicado em Ônibus
Um comentário em “Assentos preferenciais em coletivos – A regra é clara?
  1. […] sobre a falta de educação e bom senso das pessoas, da sociedade e tudo mais. Falamos sobre o tabu dos assentos preferenciais para idosos, gestantes e deficientes, sobre a gentileza das pessoas e chegamos nas manifestações de junho, as quais ela repudiava as […]

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