O corpo perfeito

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Muito se falou nos últimos dias sobre  o texto publicado no site da Marie Claire envolvendo a foto de uma modelo e a associação ao “corpo perfeito”. Aliás, tanto se falou que até quem não é público da revista (e do site) ficou por dentro do que estava acontecendo. Talvez você agora tenha acabado de saber. Em algum momento ouviu dizer… Não? Certo.
Então resumirei:

Uma modelo chamada Izabel Goulart postou uma foto em seu Instagram  onde aparecia de biquini numa provável cobertura. A modelo estava hospedada no hotel Fasano. Bem aqui no Rio de Janeiro.  Inclusive, quem quiser conhecer o hotel, o 456 Abolição – General Osório para há uns dois quarteirões.

Seria apenas mais uma imagem da modelo em sua rede social, a qual até o momento deste post contabilizava 547 fotos.

A Marie Claire, famosa revista que visa um público-alvo feminino bem diversificado demograficamente e aborda alguns temas como moda e comportamento, fez uma nota sobre a tal foto e sua popularidade com base nos inúmeros comentários registrados pelos fãs da modelo.

Como diria o nosso querido Datena, “eu quero ibagens”!

brunurbano_izabela_goulart

O texto que a acompanha é o seguinte: “Tchau Tchau Rio De Janeiro!!Obrigada!! Me Diverti Muito!!Bye Bye Rio De Janeiro!! Thank you for the best time ever!! Fasten your seat belt… Next stop?!!” E a ideia da foto é perfeita: ela caminhando pelo deck molhado (a gourmetização do lava-pé), num lugar que imagino ser a cobertura do hotel, em direção à câmera, com o morro Dois Irmãos ao fundo (famoso por ser a paisagem dos aplausos ao pôr-do-sol na praia de Ipanema), enquanto olha para baixo com um semblante leve de quem “guardará os ótimos momentos da viagem”.

A foto, em resumo, está muito bonita, com cores legais,iluminação natural. Aliás, tudo na foto parece ser bem natural, sem filtros,ou grandes efeitos, etc. A modelo, diga-se de passagem, é linda e exibe um corpo que muita mulher inveja.

Um dos comentários postados, e que talvez tenha sido o mote do texto da Marie Claire, foi sobre o “corpo perfeito” da modelo, destacado no título da nota. Não o encontrei. Talvez, seja algo embutido pela própria revista, mas há outros comentários bem similares (que não param de surgir).

E foi aí que o bicho pegou.

O link do texto foi parar nas redes sociais mais utilizadas no Brasil (Twitter e Facebook) e foi alvo de várias críticas sobre o tão falado “padrão de beleza”. O discurso veio em quase que em uníssono e pode ser entendido como: “Agora ser magra é ter o corpo perfeito?”.

Fato que a modelo está magra, seca. O abdómen reflete uma musculatura de quem realmente trabalha e prepara o corpo para trabalhar com a imagem. É a profissão dela e ninguém tem nada a ver com isso. Muito menos eu. Mas então qual o problema? Ah sim! O tal do “corpo perfeito”.

Fiquei acompanhando os comentários no Facebook e todos os que postavam vinham com um Q de protesto sobre a tal “perfeição”. Achei ótimo. Claro que achei. Finalmente estamos fortalecendo um pensamento que vai de encontro à afomentação de uma demanda da moda, do estilo de vida, do como você, eu e a pessoa que sentou no banco da frente do ônibus temos que ser para sermos “aceitos” socialmente. Ainda estamos engatinhando, mas já vejo um senso crítico interessante.

Cada um, além de ter um metabolismo diferente, tem uma estrutura corporal diferente. Seja óssea, muscular, etc. Aí alguém resolve selecionar um “modelo” para usar como padrão e pronto. É igual a moda, música, etc. Alguém dita qual a forma “cool” de se viver e todo mundo resolve seguir, comprar, consumir tudo o que envolve tais padrões. Isso não é uma conspiração, muito menos uma teoria. É um princípio básico do marketing. A criação de demanda sobre um serviço que minha empresa, ou produto pode atender é mais do que válido.

As empresas sabem que nós somos carentes. Cada um tem a sua carência, o seu tédio. Eles vão lá e falam que o celular, a roupa, o tênis, a jóia, a viagem, o lanche, o game (…) vai te fazer uma pessoa mais feliz. Vai te completar. Conheço muita gente que compra o complemento alimentar antes de entrar para a academia. Por quê? Alguém praticamente disse que o complemento (whey protein, bcaa, malto, albumina) é mais importante do que a própria musculação. (!)

Lembra daquele carinha que vende bala no ônibus e fala que aquela balinha é o passa-tempo da sua viagem? Na verdade não é passa-tempo nenhum. São balas como as que você compra na padaria, no camelô, na loja de conveniência para tirar o gosto ruim da boca, dar um up no hálito, apreciar um sabor adocicado ou mentalizado. Mas como ele sabe que todos ali estão entediados por ficarem horas sentado, ou em pé, sem poder fazer muita coisa, a não ser ouvir uma música, ou ler (estes sim seriam passa-tempos de verdade), fala que as balas dele irão satisfazer esse problema.

E quem não tem acesso à felicidade embalada? #comofas

É uma troca válida? É. Você dá o dinheiro proporcional ao que precisa e em troca recebe a “felicidade”. Até a próxima coleção primavera-verão.

É uma troca Justa? Talvez. Será que o sentimento completude se mantém com a aquisição?

Digo que ainda estamos engatinhando, pois muitos que foram contra a utilização da palavra “perfeito” em relação ao corpo da Izabel Goulart acabaram criticando a própria modelo, chamando-a de esquelética, “só tinha osso”, etc. Ora, amigos. Se vamos criticar um idealismo de beleza, de padrão, e, assim, criticar o detrimento dos que não o segue, não cabe agora atingir quem está “em forma”. Estaríamos, desta forma, com a mesma atitude que foram hojerizadas. Estamos apenas criando outro padrão: o de não seguir um. Contraditório? Sim! Complexo? Não. Vejo que apenas precisamos quebrar qualquer imposição sobre nossos mais diversificados estilos de vida.

O próprio site divulgou uma “update” se posicionando sobre o assunto, como maneira de se retratar ao público feminino que estranhou o conteúdo:Muitos aparentemente não leram o texto do site da Marie Claire. Em momento algum a expressão “corpo perfeito” foi dita como uma análise, mas como uma citação a um comentário. Claro, incorporaram isso de forma sutil ao conteúdo.

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Logo em seguida, comentários em apoio ao reconhecimento do “equívoco” do site foram surgindo no espaço destinado no site da Marie Claire.

Em primeiro momento, conseguiu limpar a barra, sair pela tangente e acho que pensará duas vezes antes de definir o conceito de perfeição de corpo num próximo texto,ou o público feminino da revista atacará novamente.

Penso ainda que vai além. Conseguiram levantar uma discussão muito saudável (sem trocadilho ao tema) sobre um dos pontos que permeam a sociedade moderna.

De lambuja conseguiram vários acessos de internautas ao site. Internautas que só foram para entender o que estava acontecendo. Já já acabam gostando da coisa e lançam outro tema “polêmico”, dada a audiência deste. E isso sim tem a ver ver comigo e com você!

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Publicado em Aconteceu na rede
Um comentário em “O corpo perfeito
  1. Bruno, também estou blogando agora (aliás, já tem alguns meses, mas optei por não divulgar no meu facebook ainda…) e vou colocar um link pro teu blog para poder vir aqui mais vezes…

    Ah, e talvez eu cite esse teu post em um post meu ok?

    Beijos!
    Clarissa

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